RESPOSTA AO COMENTÁRIO FEITO PELO VISITANTE LUIS CARLOS

A premissa básica bíblica que joga por terra qualquer interpretação sobre a existência do diabo e seus demônios está em Hebreus 2.14. Ali está claríssimo, é irrefutável, não se pode negar o que está escrito. Veja:

“E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte destruísse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.”
A referência de Atos 16.16-18 não pode ser simplesmente tratada de forma literal. Porque contraria Hebreus 2.14. O que escreveu Paulo e ele foi o perito arquiteto que pôs o fundamento tem prevalência sobre qualquer texto histórico escrito por Lucas. Lucas ali estava como historiador, não estava escrevendo o evangelho. Paulo sim escreveu o evangelho. Está em Gálatas 2.7 que a ele foi entregue o evangelho da incircuncisão, para os gentios. O fato não é superior à regra, e a Palavra de Deus não necessita de exceções para confirmá-la, seria uma heresia.
Para podermos analisar o que aconteceu ali, no início da pregação de Paulo, há que se levar em conta alguns fatores fundamentais:
1. O apóstolo Paulo era judeu e doutor da lei. Conheceu-a aos pés de Gamaliel. Ele chegou a escrever que os apóstolos de Jesus de Nazaré a ele nada comunicaram ou acrescentaram. Veja esse verso na íntegra: Gálatas 2.6 - E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram. Paulo ali estava se referindo a Pedro, João, Tiago, Judas e outros que pregavam um outro evangelho – o da circuncisão.(Gálatas 2.7)
2. Entretanto, o fato narrado em gálatas já apresenta um Paulo totalmente consciente de seu papel, já sabedor de que, depois da cruz, ele era o único apóstolo. Que somente ele recebeu o fundamento para a igreja de Jesus Cristo – Ressuscitado. Que ele não tinha que se envolver com os rudimentos da doutrina de Cristo, que ele sabia em quem estava crendo e este não era o Jesus dos apóstolos, mas o que ressuscitou dos mortos – Romanos 7.4
3. Vejamos os versos a seguir:
1 Co 3.10 - Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele.
Verso 11 - Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.
Ele pôs o fundamento. Não foi nenhum dos apóstolos: foi ele. E ninguém pode pôr outro além do dele. E que aquele fundamento é o próprio Jesus Cristo, não é Jesus de Nazaré em quem a igreja em 2000 anos tem se escorado.
4. O Paulo que vai para os gentios não é o mesmo de Atos 16. Ele ali estava em amadurecimento e  ainda cometia erros doutrinais, senão, vejamos as correções que fez:
Gálatas 2.3 – Paulo aqui está lembrando o fato ocorrido em Atos 16 – “Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se.” Paulo está fazendo um relato sobre seu equívoco – houve um constrangimento que lhe levou a praticar a lei. Em Gálatas 5.2 Paulo explicita sua doutrina e corrige o que fez no início do seu ministério: “Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará.” No capítulo 2, verso 4, o apóstolo dos gentios explica porque foi obrigado a circuncidar a Tito: “E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão”. Eram irmãos, mas eram falsos irmãos. Eram discípulos dos apóstolos de Jesus de Nazaré, capitaneados por Pedro.
Paulo ali já conhecia a índole do homem a quem Jesus de Nazaré chamou de Satanás. E no verso 11, quando Pedro vai à Antioquia (terra gentílica, quando Jesus de Nazaré, em suas instruções observou que seus apóstolos não fossem à terra de gentios, mas às ovelhas perdidas da casa de Israel) Paulo lhe repreende duramente:” E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.” A bíblia em espanhol diz: “.....porque estava de condenar”. E isso um “homem de Deus”.
Em Atos 16.4 – Os “convertidos por Pedro” entregavam a Paulo decretos dos apóstolos para que ele os observasse e, nessa ocasião, Paulo ainda não fazia noção de que ele não veio para seguir os decretos daqueles homens. Leiamos o verso: “E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.”
Outra questão é o batismo de Lídia e de sua casa. Paulo a batizou assim como seus parentes, mas veja o que o apóstolo mais tarde fala aos hebreus sobre isso:
 
Hebreus 6.1,2 - Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.
Paulo aqui não é o mesmo de lá, de Atos 16. Porque ela estava prosseguindo até à perfeição nas revelações que recebia do Ressuscitado para escrever o evangelho da incircuncisão – de Romanos até Hebreus.
Ele mesmo disse que não veio para batizar e sim para pregar o evangelho.
Ressalto que Atos dos apóstolos é um livro histórico, não é evangelho, portanto aborda fatos que foram evoluindo com o decorrer tanto da vida dos apóstolos de Jesus de Nazaré como do crescimento em graça do perito arquiteto.
Quando nos deparamos com Atos 16.16-18 e nos surpreendemos com a linguagem usada pelo Dr. Lucas nesse relato temos que dar os devidos descontos tanto a Lucas como a Paulo. Os livros históricos costumar omitir, acrescentar, confundir detalhes que ocorreram ou não no contexto bíblico. Não vamos, entretanto, nos alongar nessa explicação. O que acontece é que o texto bíblico tem que ser crivado pelo evangelho de Paulo. Romanos 2.16 é claro em afirmar que Deus viria trazer à luz os desejos dos homens pela pregação de Jesus Cristo, segundo o meu evangelho (o de Paulo). Jesus Cristo homem está fazendo isso. Toda a base bíblica da pregação de Jesus Cristo homem é o evangelho de Paulo, porque a bíblia diz que é e ouvimos a sua voz ministrando dessa forma.
5. Elucidando Atos 16.16-18 - E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu.
Esse Paulo não é o de Hebreus 2.14. Era um aprendiz, estava envolto ainda pelo manto da lei de Moisés, não tinha ainda o real sentido da passagem do pacto, não conhecia o papel que iria assumir mais à frente. Outra questão importante é que não foi ele quem narrou o fato. Senão vejamos o que Paulo escreve muito depois aos gálatas.
Gálatas 5.19 - Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.
Paulo diz que fomos eleitos, escolhidos, separados, predestinados, salvos como uma só oferta, que estamos completos Nele. Tudo isso é espiritual. Não podemos nos separar dessa verdade. Agora saindo do espírito temos as obras da carne.
As obras da carne são manifestas – Ali em Atos 16 havia essa manifestação de um tipo de obra da carne tão comum nas igrejas de hoje, mas não tinha nada a ver com coisas do espírito, com demônios, ali era uma manifestação de feitiçaria – obra da carne enumerada entre muitas por Paulo. O que o sistema religioso chama de pecado é obra da carne. Quem comete não reina aqui na Terra, onde está o reino de Deus, Não se perde jamais pois Paulo escreve em Hebreus 10.14 que com uma só oferta (sua morte) Ele nos fez perfeitos para sempre.
CONCLUSÃO -  Jesus de Nazaré levou 30 anos para crescer em graça e conhecimento até compreender seu ministério: cumprir a lei – Romanos 10,4 / tirar o pecado – Hebreus 9.26 / e destruir o diabo – Hebreus 2.14. Paulo reconheceu o seu ministério quando exclamou: vou para os gentios.
 
 
 
 
 
publicado por brasileiro às 15:25